Personalidades da Matemática
Nicolau Copérnico
(1473-1543)

   Astrónomo polaco que acreditava que era o Sol, e não a Terra, que estava no centro do sistema solar, contrariando, assim, a doutrina da Igreja Cristã na época. Trabalhou, durante 30 anos, na hipótese que responsabilizava os movimentos de rotação e de translação da Terra pelo movimento aparente dos corpos celestes. O seu importante trabalho Das Revoluções dos Corpos Celestes não foi publicado, até ao ano da sua morte. 
    Copérnico relegou a Terra do centro do universo, considerando-a um simples planeta (o centro, apenas, da sua própria gravidade e da órbita da sua Lua solitária). Esta teoria obrigou a uma revisão fundamental da visão antropocêntrica do universo e produziu um choque psicológico na cultura europeia. O modelo de Copérnico não podia ser provado porque continha algumas falhas fundamentais, mas foi o primeiro passo importante para uma imagem mais precisa, construída por astrónomos posteriores. 
     Copérnico nasceu em Torun, no Vístula. Estudou matemática, astronomia, estudos clássicos, direito e medicina em Cracóvia e em várias universidades em Itália. Quando regressou à Polónia, em 1506, tornou-se o médico do seu tio, o bispo de Varmia, que também lhe arranjou o posto de secretário em Frombork, permitindo-lhe intercalar o trabalho astronómico com outras ocupações, em várias repartições civis. 
     Copérnico começou a fazer observações astronómicas em 1497, apesar de se basear em dados acumulados por outros. Por volta de 1513, escreveu um breve texto anónimo intitulado Commentariolus, no qual explanava o assunto mais tarde discutido em De revolutionibus. 
      Incapaz de se libertar inteiramente das limitações do pensamento clássico, Copérnico apenas imaginou órbitas planetárias circulares. Esta visão limitada obrigou-o a manter um complicado sistema de epiciclos, com a Terra a girar à volta de um centro que, por sua vez, girava à volta de outro que, por sua vez, girava à volta do Sol. Foi o trabalho de Johannes Kepler que introduziu o conceito de órbitas elípticas, salvando o modelo Coperniano. 
     Copérnico também sustentou a ideia da existência de esferas em que os planetas circulavam. Foi Tycho Brahe quem libertou a astronomia deste conceito arcaico. 
      Um ministro luterano que examinou a publicação De Revolutionibus inseriu um prefácio (sem o consentimento de Copérnico) declarando que a teoria servia apenas para calcular as posições dos planetas, não constituindo uma declaração da realidade. Este texto comprometeu o valor da publicação de Copérnicoo aos olhos de muitos astrónomos, mas também salvou o livro, por algum tempo, da condenação da Igreja Católica Romana. De Revolutionibus só foi colocado no Index dos livros proibidos, em 1616 (foi retirado da lista em 1835).

  

Para saber mais...
Mais fotografias